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        Dante Alighieri     -    Petrarca                 

POETAS ITALIANOS

A Itália, Pátria do Renascimento, teria que ser necessariamente
a  pátria do soneto, a mais bela forma de expressão da poesia.

Sem nos aprofundarmos em pesquisas sobre as origens nebulosas do
soneto, atribuído principalmente aos trovadores medievais,quando
ainda se estruturavam as chamadas línguas neolatinas, um fato é
assinalado unanimente pela crítica dos historiadores: foi Petrarca
que o consagrou, utilizando-o na realização de sua obra.

Da poesia trovadoresca até cristalizar-se em sua forma definitiva
e tradicional, o soneto passou por tipos intermediários. No final
da Idade Média a poesia dos trovadores incluía poemas, com várias
formas, geralmente combinação de quadras e tercetos, a que
chamavam "sonetos". E mesmo, nos primeiros anos do Renascimento,
muitos poetas ainda o compunham com uma espécie de cauda, a que
se chama de "strambote". Eram, portanto, sonetos "estrambóticos",
e o adjetivo generalizou-se, posteriormente, com sua significação
de estranho, esquisito, extravagante.

Deste modo, apesar de atribuída a sua invenção a um poeta siciliano
do começo do Século XII, Giácomo da Lentini, foi pela influência
e prestígio de Petrarca que o uso do soneto acabou por generalizar-se.
Passou da Itália à Fouce para onde foi levado por Du Bellav, à
Espanha, com Boscan; na Inglaterra, desde a viagem de Chaucer à
Itália, era conhecido; à Portugal, por Sá de Miranda.
Era o começo de sua universalização.

A primeira edição dos sonetos de Petrarca, publicados depois com o
título geral de "O Cancioneiro", é de 1470 e seu manuscrito autógrafo
encontra-se na Biblioteca do Vaticano.

São, ao todo, 317 sonetos, sendo 217 "in vita", e 90, "in morte", de
Madona Laura, acrescidos de canções, sextilhas, pequenos poemas,
algumas baladas e madrigais.

Muitas dessas peças de Petrarca são de difícil tradução.Dante acabara
de fixar o que seria o idioma italiano, ao preferir o dialeto toscano
para a realização da sua "Divina Comédia", ao invés do latim, a língua
considerada culta.As poesias de Petrarca, da mesma época guardam as
mesmas características da língua e da literatura italianas nesse
período de formação.

Tão decisiva foi a obra de Petrarca, refletindo-se em todas as
literaturas, que o soneto, na forma de que se utilizou o poeta,
pequeno poema composto por duas quadras e dois tercetos, com rimas
repetidas nas quadras, e rimas entrançando-se nos tercetos, passou
a ser denominado de petrarqueano, apesar de se saber que não fora
propriamente criado por Petrarca.

O soneto, chamado petrarqueano, é composto com versos de dez sílabas,
decassílabo, mas com o tempo, os poetas passaram a se utilizar de
medidas e métodos diversos na feitura dos sonetos.

Ingleses e alemães alteraram a forma clássica italiana; os ingleses,
com o soneto shakesperiano, na realidade um outro "soneto", pois que
é um poemeto formado por três quadras, de rimas diferentes, e dois
versos finais emparelhados; os alemães, compondo sonetos em apenas
dois blocos, uma oitava e uma sextilha, usando também rimas diferentes
nas duas quadras e nos dois tercetos, fundidos. E houve até, os que
transformaram o soneto, num poema inteiriço de quatorze versos,
sem qualquer divisão em estrofes.

Deste modo surgiram as mais variadas "interpretações" do soneto
italiano, mas a verdade é que, a forma petrarqueana tem se mantido
através dos tempos como a preferida pela quase totalidade dos poetas.

O soneto encerra uma idéia completa, o que não tem impedido que
muitos autores se utilizem de diversos sonetos, em forma de poema,
encadeados apenas pelo sentido, ou até com artifícios poéticos, na
repetição de versos, para desenvolverem um mesmo tema.

É o que os ingleses denominam de sequence (seqüência) e os alemães
sonettenkranz ( grinalda de sonetos), no caso, formada por quinze
sonetos combinados de modo que o último verso de cada soneto é tomado
como o primeiro, do soneto seguinte, até o último, e de forma que esse
último, o décimo quinto, possa ser constituído com os 14 primeiros
versos dos 14 sonetos anteriores. Como vêem, uma composição difícil
e caprichosa, sem outro mérito senão o do trabalho artesanal do poeta.

No soneto tradicional, o terceto final é conhecido como a "chave de ouro".
Deve sublinhar, portanto, a idéia geral do poema, apresentar uma certa
ênfase especial, uma espécie de síntese; deve ser de fato o fecho
brilhante do soneto, e nele caprichavam principalmente os parnasianos.

Na Itália, ao tempo de Petrarca, Dante também o cultivou, e há quem lhe
atribua até a sua criação.
Dante e Petrarca foram os grandes iniciadores do seu culto.

Depois deles, na Itália„ em todas as épocas, houve notáveis sonetistas.
Citemos, ao acaso, alguns dos mais expressivos e conhecidos: Torquato Tasso,
Gabriel Flama, Francisco Lemene, Hugo Fóscolo, Carducci, Joseph Orsi, Zappi,
Mazini, Cotansa, Giovani Della Casi, Redi, D'Annunzio, Steccheti,
e muitos outros, até nossos dias.

O soneto permanece de pé:
- quatorze colunas imortais, sustentando um templo de poesia.Espécie
de "Partenon" do gênio poético italiano, do gênio latino, se preferirem.

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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