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William Shakespeare
(1564-1616)

“Um Dia de Verão”
- Soneto XVIII -

Tradução de
                                                           Anna Amélia de Queiroz. Carneiro de Mendonça

Se te comparo a um dia de verão
és por certo mais bela e mais serena.
O vento espalha as flores pelo chão
e a demora do estio é bem pequena.

Às vezes brilha o sol em demasia
outras vezes desmaia com frieza.
O que é belo declina num só dia,
na eterna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
esse encanto que tens não perderás
nem chegarás da morte ao triste inverno.

Nestas linhas, com o tempo, crescerás,
e enquanto sobre a terra houver um ser
meus versos, vivos, te farão viver.

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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