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William Shakespeare
( 1564-1616)
" Em Minha Desgraça "
- Soneto XXIX -
Tradução de Heitor P. Fróes
Aniquilado pela adversidade,
dos homens desprezado e solitário,
deploro este penar desnecessário,
dos céus ante a passiva crueldade;
e, comparando com realidade
a sorte dos demais e o meu fadário,
invejo quem se fez depositário
de esperança, prazer, felicidade...
Mas quando assim lamento os meus peares
recordo-me de ti, e eis que o meu tédio
qual calhandra desperta corta os ares;
e encontro em teu amor tal refrigério
que minha pobre vida sem remédio
já não trocara nem por um império!
Obs.: numa transposição para a forma
petrarqueana, em versos de doze sílabas.
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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