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  William Shakespeare
( 1564-1616)

“A União dos Corações”
- Soneto CXVI -
                                            Tradução Heitor P. Fróes

Nada infirma a união dos corações,
quando sincera; o verdadeiro amor,
posto à prova, resiste às provações
e arrosta dos contrários o clamor.

O amor é um marco que não perde o prumo,
nem o abala o furor da tempestade;
é uma estrela em que o nauta encontra o rumo,
sem que possa medir-lhe a intensidade.

Não se altera com o tempo, muito embora
ande às voltas com lábios de carmim;
não muda dia a dia e de hora em hora,

antes resiste do princípio ao fim.
Se alguém negar tudo o que aqui foi dito,
é que não sou poeta... e o amor é um mito!

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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