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William Shakespeare
( 1564-1616)
“Pelo Tempo Amarfanhado”
– Soneto LXIII -
Tradução Maria do Céu Saraiva Jorge
Quando já pelo tempo amarfanhado
meu amor estiver, como eu agora
sem cor e de semblante carregado
por muitas rugas; e essa linda aurora
tiver chegado à noite da existência
e os encantos mil, de que hoje é Rei,
fugirem, sem deixar uma aparência
levando a primavera que eu amei,
para então, minha pena agora clama
contra a foice cruel do Tempo vão:
que o mate embora, mas não leve a fama
desse belo, que foi minha paixão:
beleza que eu a negro aqui descrevo
para que viva, verde como um trevo!
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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