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  William Shakespeare
( 1564-1616)

“Não Era Bela a Negra Cor”
– Soneto CXXVI -
                                                                     Tradução de Maria Do Céu Saraiva Jorge

Não era bela a negra cor, outrora,
se o era, não seria assim chamada:
mas diz-se herdeira da Beleza, agora;
bastarda, foi deixá-la difamada;

pois, desde que Artifício pretendeu
o feio embelezar da Natureza,
ficou sem nome, e auréola já perdeu
a profanada angelical Beleza.

Por isso, é o olhar da minha amante
tão negro como um corvo, dir-se-ia
que o não ser claro o torna suplicante,
mostrando que ser belo é ter magia.

E pensa já quem tanto o vê sofrer
que assim negra a Beleza deve ser.

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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