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  William Shakespeare
( 1564-1616)

“De Mármore Não Sei”
– Soneto LV -
                                                           Tradução de Péricles Eugênio Da Silva Ramos

De mármore não sei, nem de áureos monumentos
que sobrevivam ao meu canto poderoso:
o tempo mancha a pedra, enquanto em meus acentos
tu sempre ostentarás um brilho vigoroso.
Quando estátuas a guerra infrene derruir
e as próprias construções das bases arrancar,
não poderão espada ou fogo destruir
este arquivo imortal que te há de relembrar.
Indiferente a morte e a olvido hás de viver,
e encontrará guarida o teu louvor supremo
no olhar das gerações que se hão de suceder
até que o mundo atinja o seu momento extremo.
Assim, até o juízo em que despertarás,
em meu verso e no olhar dos que amam viverás.


in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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