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  William Shakespeare
( 1564-1616)

“É Uma Dona De Casa”
- Soneto CXLIII -

                                                           Tradução de  Jerônimo De Aquino

É uma dona de casa e um filho tem no colo.
Foge-lhe, de repente, uma ave da capoeira.
Apressada, largando a criança no solo,
atrás da fugitiva, ei-la em doida carreira.
Põe-se a criança a gritar, o olhar em direitura
da mãe, mas nem sequer consegue ser ouvida,
pois que ela, a se empenhar da ave na captura,
do filho, que deixou, vai de todo esquecida.
Como a dona de casa, algo vais tu seguindo,
e eu, como o teu bebê, fico a olhar-te insistente.
Atingindo o teu sonho, e disso a glória fruindo,
volta e faze de mãe: beija-me docemente.
Que tem que andes assim a atender teu Desejo,
se me deres, na volta, o consolo de um beijo?

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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