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  William Shakespeare
( 1564-1616)

“No Dia Em Que Eu Morrer”
 – Soneto LXXI -
                                            Tradução Heitor P. Fróes


No dia em que eu morrer, chora-me apenas
até que o dobre de finados cesse:
e saiba o mundo vil que, sem ter penas,
aos vermes, bem mais vis, meu corpo desce.

Não penses mais, quando estes versos leres,
na mão que os escreveu, pois te amo tanto
que mais estimarei se me esqueceres
do que se eu for motivo de teu pranto.

Se hás de, tristonha, recordar - querida –
meu corpo à terra-mãe incorporado,
que se extinga esse amor com a minha vida,

por que não sofras por me haver chorado . . .
E o mundo austero,vendo teu pesar,
por mim não queira te menosprezar.

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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