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William Shakespeare
( 1564-1616)
“Como o Bisonho Ator”
- Soneto XXIII –
Tradução de Jerônimo de Aquino
Como o bisonho ator que, porque se arreceia
do palco, sai dai, sem haver dito nada,
ou como quem, tendo a alma a estuar, de raiva cheia,
pelo excesso de força há de tê-la infirmada,
assim, pelo temor de te falar, esqueço
o cerimonial que impõe do amor o rito,
e a força do meu próprio amor perder pareço,
porque pesa demais seu poder irrestrito.
Deixa os escritos meus, então, ser a eloqüência
do meu íntimo peito, os mudos mensageiros
que, mais do que esta voz, mesmo acesa em veemência,
pleitearão para o amor prêmios alvissareiros.
Ah! aprende a ler o que o silente amor escreve:
ouvir com o olhar é dom que ao amor, só, se deve .
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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