biblioteca.gif (1131 bytes)

*****************************************


  William Shakespeare
( 1564-1616)

“ Amo os Olhos Teus”
- Soneto CXXXII -
                                                 Tradução Jerônimo de Aquino

Eu amo os olhos teus e eles, como apiedados,
sabendo a quanta dor teu desdém me condena,
de espesso luto sempre e em lágrimas banhados
se compungem perante essa terrível Fena.
E, certo, nem o Sol, em matutina hora,
fazendo resplender a face do oriente,
nem a estrela que o acaso, ao escurecer, decora,
podem nunca irradiar graça tão surpreendente,
como a que os olhos teus dão, chorando, à tua face.
Oh! deixa que em tua alma, então, o pranto influa,
se o pranto, assim, te faz mais bela; que te engrace
todo o ser o sentir que em teus olhos atua.
Então, eu jurarei só haver beleza triste,
ou que, sem tua feição, beleza não existe.
 

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


*****************************************

Home