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"Sem Ela"
                                                 (Soneto LIII de "A Casa da Vida")

Dante Gabriel Rossetti
1828-1882
                                                           Tradução de Martins Napoleão


Que é o espelho sem Ela? Apenas o olhar baço
do lago que cegou sem a face da lua.
Seu vestido sem Ela? O esvaziado espaço
da nuvem quando a lua através não flutua.

Os caminhos, sem Ela? O império passo a passo,
do dia, pela noite usurpado. E esta nua
casa? Lágrimas, ai! em vós eu me desfaço
para esquecer o amor, a graça que foi sua.

Que é do meu coração sem Ela? - Pobrezinho,
que palavras dirás antes que a morte desça?
Peregrino de frio e infecundo caminho,

íngreme é árduo caminho, és tu sem Ela adiante,
onde uma nuvem densa, irmã da selva espessa,
em dupla sombra envolve a colina ofegante.


in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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