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" Meu Sonho Familiar (3)"
Paul Marie Verlaine
(1844 – 1896 )
                                                                          Tradução de Luis Martins

As vezes sonho o sonho estranho e persistente
de uma mulher que eu amo e me é desconhecida.
Sempre a mesma não é, essa mulher querida,
mas também, certo, não é outra, totalmente.

Ela me compreende, me ama... Tão somente
a essa mulher desvendo o coração e a vida.
Mas também minha fronte, pela dor ferida,
ela só, é quem sabe afagar, docemente...

Ela é morena ou loura, ou ruiva? - Eu o ignoro.
Seu nome? Apenas sei que é doce e que é sonoro
como os nomes de amantes que a vida exilou.

Parece olhar de estátua o seu olhar vazio
e tem na voz, longínqua e calma, o lento, o frio,
o triste acento de uma voz que se calou...

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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