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Cleopatra  - II

Albert Victor Samain
(1859 - 1900) 
                                                                  Tradução de Álvaro Reis

Densa, a noite a pesar sobre o Nilo obscuro.
Cleopatra, arrebatada à luz fria e esplendente
dos astros, afastando as servas, de repente,
rasga as vestes num gesto impudico e seguro...

De pé, no alto terraço, a plástica imponente
mostra cheia de amor como um fruto maduro!
Toda nua, ela vibra, ignívoma serpente,
do vento ao morno beijo, alva, no cimo escuro.

Ela quer tenha o mundo esta noite o perfume
da sua carne! E ao olhar, fulge-lhe o estranho lume...
- Sombria flor do sexo esparsa no ar noturno;

e a Esfinge, pelo areal do tédio taciturno,
sente um fogo invadir-lhe o impassível granito,
- e um frêmito percorre o deserto infinito...


in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966




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