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" A
Sarah Bernhardt "
Edmond Rostand
( 1869-1918 )
Tradução de Modesto de Abreu
Só tu, somente tu, nestes tempos funestos,
escadarias reais sabes, nobre, descer,
mantos cingir, armas terçar, flores trazer,
rainha da atitude e princesa dos gestos!
Nestes tempos sem flama, ouvem-se os teus protestos:
morres de amor, sobes ao céu, sabes dizer,
ora braços de sonho, ou de carne, a estender,
e, é Fedra aparecer, todos somos Incestos.
Ávida de sofrer, para as paixões renasces.
Todos vimos jorrar teu pranto, em borbotões,
lágrimas nossas, a correr em tuas faces.
Mas tu sabes também, Sarah (por que segredos?)
Que, às vezes, vêm pousar, nas representações,
os lábios de Shakespeare nos anéis dos teus dedos!
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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