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" Zimbreiros "
- Soneto  -
                                                               
Ronsard
(1524-1585)   
                                                                          Tradução Fernando Torquato de Oliveira


Zimbreiros aromais, azevinhos ferinos,
nascidos no deserto ou nos bosques selvagens;
hera que atapetais os antros, nas folhagens;
fontes que apareceis em filões argentinos;

pombos que vos beijais nos bicos pequeninos;
rolas que suspirais, com estranhas roupagens;
sonoros rouxinóis que, em formosas linguagens,
dia e noite dizeis vossos versos divinos;

andorinhas de estranha e distanciada esfera:
- se virdes minha Ninfa, a colher, distraída,
florinhas pelo chão sem fim da primavera,

dizei-lhe: não espero a graça pretendida,
pois não quero sofrer a dor de quem espera.
- Antes morrer de amor que penar toda a vida.

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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