
![]()
*****************************************
"Quando Fores Bem Velhinha"
-Soneto XXIIII-
Segundo Livro de "Os Amores"
Segundo Livro de Sonetos para Helena
Ronsard
(1524-1585)
Tradução de Heitor P. Fróes
Quando já bem velhinha, à noite, à luz da vela,
sentada ante a lareira estiveres fiando,
dirás, ao recordar-me, o coração pulsando:
"Ronsard cantou-me em verso, ao tempo em que fui bela"!
Já não terás, então, como serva, a donzela
que, ao peso do cansaço às vezes ressonando,
ouvindo-me invocar, despertava, abençoando
o teu nome imortal que meu verso revela.
O corpo sepultado, a alma livre e sem pouso,
à sombra dos mirtais encontrarei repouso;
tu - do tempo curvada à fatal inclemência -
chorarás meu amor e teu frio desdém...
Não fiques a esperar pelo dia que vem
colhe enquanto ainda é tempo as rosas da existência!
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
Obs: O algarismo romano esta exatamente assim XXIIII e não XXIV.
*****************************************![]()