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" Não Vês a Natureza"
- Soneto XXXI -
(Segundo Livro de "Os Amores")
Ronsard
(1524-1585)
Tradução Fernando Torquato de Oliveira
Não vês a natureza: é por simples crueldade
que não amas? Lá fora, os alados casais
estremecem de amor; olha o pombo trocaz,
olha a rola, na mata, a cantar com saudade.
Olha em torno a fremente e vária alacridade
das asas a viver seus amores triunfais;
olha a vinha a estender as verdes espirais;
olha o mundo a sorrir de sã felicidade.
A pastora, girando o fuso antigo, fia,
cantando o seu romance, e o pastor, na porfia,
responde a essa canção, com sua voz sincera.
Tudo fala de amor, tudo vive a cantar;
mas só teu coração, de um gelo que lacera,
mantém-se obstinado e não deseja amar.
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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