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" Madrigal "

                                                                 ( Segundo Livro de "Os Amores" )
                                                                              Primeiro Livro de Sonetos para Helena


Ronsard
(1524-1585)   
                                                          Tradução de  Mello Nóbrega


Se amar, minha Senhora, é, de noite e de dia,
sonhar, querer, pensar o meio de agradar,
esquecer tudo mais e nada mais tentar
senão no amor de quem tanto assim me angustia;

se amar é perseguir fugitiva alegria
e perder-me a mim mesmo e sozinho ficar;
padecer sem consolo, e ter medo, e calar,
soluçar, implorar, alvo de zombaria;

se amar é existir, não em mim; mas só nela,
esconder o pesar, que em risos se rebela,
sentir dentro do peito a luta desigual,

frio e calor, febre de amor que me avassala,
temendo confessar de onde vem esse mal,
se isso tudo é amor, com fúria se revela.

Amo-a e sei muito bem que o que sofro é fatal.
O coração o diz, mas a boca se cala.

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966

obs.: Forma curiosa de soneto medieval, com estrambote,
versos adicionais aos 14 versos do soneto, como acabou
se fixando, na forma chamada petrarqueana.


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