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" Levanta-te, Maria"
- Soneto XXII -
(Segundo Livro de "Os Amores")
Ronsard
(1524-1585)
Tradução Fernando Torquato de Oliveira
Levanta-te, Maria, ó preguiçosa!
A cotovia canta lá na altura,
e o rouxinol sobre o espinheiro apura
a voz numa canção melodiosa.
Eia! vamos passear sob a espessura,
onde existe um sorriso em cada rosa;
e ver os cravos que ontem, cuidadosa,
banhaste com poesia e com ternura.
juraste por teus olhos que estarias
de pé antes de mim, mas esquecias
que a Aurora conta sonhos em segredo...
Ora! tu tens os olhos ainda cheios
de sono! Vou beijá-los, sem rodeios,
para aprenderes a acordar mais cedo!
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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