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" Jurei Cem Vezes"
- Soneto LX-
(Segundo Livro de "Os Amores")
Ronsard
(1524-1585)
Tradução Fernando Torquato de Oliveira
Jurei cem vezes nunca mais rever
- ó juramento! - o angélico semblante
de quem pôde, por meses, me prender
num sofrimento mísero e cruciante.
Assim jurei! Mas falta-me o poder
sobre mim: a coragem vacilante,
de tanto amor e vezo de ceder,
traz-me sempre de volta, mais confiante.
Destino - um Pardaillan - é coisa forte;
o homem tenta moldar a própria sorte,
mas o céu lhe confere um rumo vário.
Sei que faço o indevido, por loucura;
sei que o amor que me inflama é uma aventura;
mas, que fazer? se o céu faz em contrário!
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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