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"Como em Maio" - Um Soneto
Pierre de Ronsard
(1524 - 1585 )
Tradução de Maria Helena
Como em Maio se vê sobre um ramo uma rosa
aberta em juventude e cheia de frescor
tornar ciumento o Céu da sua viva cor
quando o Sol do seu pranto a luz torna chorosa;
o amor adormecido e a graça preguiçosa
perfumam os jardins e as árvores de olor,
mas, batida de chuva ou de excessivo ardor,
folha a folha ela morre em languidez queixosa.
Também a ti, também, em plena mocidade,
quando este mundo e o Céu cantavam tua idade,
a Morte em cinzas fez tuas chamas viçosas.
Recebe, pois, meu pranto e as minhas pobres dores,
esta ânfora com leite, este cesto com flores,
e que o teu corpo seja um milagre de rosas.
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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