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"As Cidades e os Burgos "

(Soneto XXIX - Segundo Livro de "Os Amores")

Pierre de Ronsard
(1524 - 1585)
                                                                          Tradução - Fernando Torquato Oliveira

As cidades são vis, os burgos são odiosos,
padeço quando vejo o mundo indiferente;
passeio pela mata antiga, longamente,
vivendo a grande paz dos rumos silenciosos.

Não encontro no bosque animais tão furiosos,
nem pedra, vegetal ou rio transparente,
que não sofram comigo a minha dor freqüente,
tão cheia de paixão e anseios cobiçosos.

Um pensamento emerge de outro, e me acompanham
como prantos de amor que os meus sentidos banham,
a rolar em meu ser em forma de uma fonte.

Se acaso alguém me encontra em meio da folhagem,
fitando a minha barba e o horror de minha fronte,
julga ter encontrado algum monstro selvagem.


in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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