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Mallarme, Stéphane.
(1842-1898)
"Angustia "
Tradução Luís Martins
Não venho aqui vencer teu corpo, oh! ser obscuro
que os pecados de um povo juntas, nem desejo
revolver tristemente teu cabelo impuro
sob o incurável tédio oriundo do meu beijo.
Quero um sono sem sonhos no teu leito, insano
sono que os panos dos remorsos envolveram
e que podes gozar, após teu negro engano,
tu que o nada conheces mais que os que morreram.
O Vício que polui minha nobreza inata
pôs em mim como em ti, um selo condenado.
Mas enquanto o teu peito pétreo é habitado
por um tal coração que nenhum crime mata,
eu fujo atormentado, envolto em meu sudário,
com pavor de morrer se dormir solitário.
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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