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" O Sono de Leilá "
Leconte de Lisle
( 1842-1905 )
Tradução de Raimundo Correia
Calmo, estio; a água viva não murmura,
nem ave alguma as asas bate, arisca;
apenas, leve, o bengali belisca
da rubra manga a polpa áurea e madura.
No parque real, à sombra verde-escura,
das latadas, a lânguida mourisca
Leila repousa à sesta... O sol faísca
num céu de chumbo ardente, que fulgura...
Oprime o rosto o braço contrafeito;
o âmbar do pé sem meia, docemente,
colora as malhas do pantufo estreito;
dorme e sonha sorrindo, o amante chama,
o lábio a abrir - fruto aromado e quente
que o coração refresca e a boca inflama
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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