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"O Soneto"
                                  Josephin Soulary 
( 1815-1891 )
                                                     
Tradução de  Álvaro Reis
                                    
Não caberei aqui - diz-me, doida, sorrindo
vou romper-te, afinal, colete de Procusto!
Infla o colo e depois torce o quadril robusto,
e estorce em demasia um braço airoso e lindo..

Nessas lutas, paciente, esqueço um tempo infindo...
Pelo estreito vestuário em que seu talhe ajusto,
ora apertando um laço, ora outro desunindo,
faço passar, por fim, cabeça, espádua e busto.

Sob as dobras da veste, os contornos, agora,
desenhemos com arte. . . E a forma se avigora,
vede: a roupa flutua e a beleza se acusa.

Estará bem ou mal nesses traços serenos?
- Nada ao corpo de mais, nem na alma de menos -
gosto assim da mulher e assim desejo a Musa.
 
* *  *
Verso 2 - "Ao poeta, neste verso, escapou o cochilo mitológico
de confundir a túnica de Nesso com o leito de Procusto"
(Mello Nóbrega).


in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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