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" O Escravo "
José Maria de Heredia ( 1842-1905 )
Tradução de Melo Leitão
Escravo sujo e nu, sem teto, esfomeado,
no meu corpo há sinais flagrantes do que digo.
Livre, ao fundo nasci do belo golfo antigo,
onde reflete o Hibla o píncaro azulado.
Deixei meu lar feliz, eu! Se fores amigo,
ao mel de Siracusa e ao ninho embalsamado
pelo bando vernal (1) de cisnes transportado,
procura essa que traz meu coração consigo.
De novo os olhos seus verei, de azul tão puro,
sorrindo ao sol natal que neles se reflete
sob o arco triunfal do supercílio escuro.
Ai, tem piedade, parte; e à meiga Cleariste
que vivo a ver, só para a ver, repete;
hás de saber quem é, porque está sempre triste.
(1) Relativo à primavera
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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