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José Maria de Heredia
( 1842 - 1905 )
" A Feiticeira"
Tradução de Anna Amélia de Queiroz
Carneiro de Mendonça
Em toda parte, até nos altares sagrados,
vejo-a que por mim chama e alvos braços me lança.
Pai venerável! Mãe que me embalou criança!
De uma execrável raça expio hoje os pecados?!
O Eumólpide não quis na sede de vingança
os mantos sacudir ao solo, ensangüentados.
E eu fujo, sem querer, exausto, os pés cansados;
e dos sagrados cães o rude uivar me alcança.
Aonde vá, sinto, aspiro, a mim mesmo odioso,
o sinistro feitiço, o encanto tenebroso
com que, dos Deuses ainda, a cólera me esmaga,
pois puseram-lhe os céus, como supremo encanto,
esses olhos de sombra e essa boca que embriaga,
armando contra mim seus beijos e seu pranto.
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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