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Henri de Régnier
( 1864-1936 )
"Racine "
Tradução Modesto de Abreu
Racine terminou a tarefa encetada:
cotovelos na mesa ofega, triunfante.
Com ruído intermitente, em seu pulso possante,
a pena já não morde a página arranhada.
De ferino epigrama, ou sátira, ou piada,
achou a ponta acerba ou o traço irritante?
Não! - cuidado mais nobre o deixou ofegante
e ele, ansioso relê a cena terminada.
Seu olhar, cuja arguta expressão o define,
e dele fez dizer: "o pérfido Racine",
é pensativo, nobre c cheio de meiguice,
porque testemunhou - esplêndida ironia!
os adeuses que a Tito esquivo dirigia
a amorosa, a sensual rainha Berenice.
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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