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François Coppée
(1824-1908)

" Para Sempre"
                                                  
Tradução de Antonio Salles
                                                                  

Murmuras: "Para sempre!" ao meu ombro inclinada.
Nossa separação virá, no entanto. É a sorte.
Um de nós, o primeiro, há de encontrar a morte,
e do chorão dormir sob a triste ramada.

Vinte vezes, do cais, já vira a marujada
ao molhe regressar o brigue de alto porte;
mas um dia se fez de rumo para o Norte,
e o Pólo o sepultou sob o gelo. Mais nada.

Vinte anos ao beiral, com a primavera, o bando
de andorinhas volveu, jubiloso, chilrando;
mas o verão chegou, e eu não as vejo mais.

Juras de eterno amor teus doces lábios soltam...
Mas eu penso no adeus dos que vão e não voltam...
Por que a palavra "sempre" em boca de mortais?

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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