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Charles - Pierre Baudelaire
1821 - 1867

"Tristezas da Lua "
                                               
Tradução Martins Fontes

Hoje, a lua, a sonhar, mais pálida e mais fria
tem, reclinada sobre os coxins siderais,
o langor feminil de quem acaricia, i
antes de adormecer, os seios virginais.

Sobre o fofo cetim das nuvens, desmaiada,
nos céus, passeando o olhar, vê surgirem visões,
que argênteas, no palor da noite iluminada,
ascendem para o azul, como alvas florações.

Quando às vezes, na terra, amorosa e discreta,
ela deixa cair uma gota de opala,
uma lágrima irial, de tons de catassol,

sobre a concha da mão, notâmbulo poeta
toma-a, para, furtiva, ir piedoso guardá-la
dentro do coração escondendo-a do sol.


 J G de Araujo Jorge, in
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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