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Charles - Pierre Baudelaire
1821 - 1867

"Soneto" (02)
                                
  ( Anjo da guarda )
                                                                                
Tradução de Roberto Gil

Que dirás, esta noite - ó alma incompreendida? . . .
Que dirás coração, ontem despedaçado,
à mais bela, à melhor, à que foi mais querida,
cujo divino olhar floriu-te inopinado?!

- Consagrei meu orgulho a enaltecê-la em vida;
nada vale o dulçor do seu poder sagrado;
dos Anjos com o perfume a sua carne é ungida;
seu olhar, sobre nós, é um manto iluminado!

Seja durante a noite e em plena solitude,
ou entre a multidão indiferente e rude,
o seu fantasma no ar dança, e é uma tocha acesa!

As vezes, fala e diz: "Sou bela! Que assim arda
em ti, o meu amor, e ames sempre a Beleza!
- Sou tua Musa, e Madona, e o teu Anjo da guarda!"

 J G de Araujo Jorge, in
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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