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Charles  Pierre Baudelaire
      (1821 / 1867 )

" Os Gatos "
                                      
Tradução J.G. Araujo Jorge
                     


Os amantes febris e os sábios solitários
amam de modo igual, na idade da razão,
os doces e orgulhosos gatos da mansão,
que como eles têm frio e cismam sedentários.

Amigos da volúpia e devotos da ciência,
buscam eles o horror da treva e dos mistérios;
Tomara-os Érebo por seus corcéis funéreos,
se a submissão pudera opor-lhes à insolência.

Sonhando eles assumem a nobre atitude
da esfinge que no além se funde à infinitude,
como ao sabor de um sonho que jamais termina;

Os rins em mágicas fagulhas se distendem,
E partículas de ouro, como areia fina,
Suas graves pupilas vagamente acendem.


 J G de Araujo Jorge, in
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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