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Charles - Pierre Baudelaire
1821 - 1867

"Intimidades"
                                               
Tradução Paulo Pimentel
                                    


Tu és um céu de outono, alegre e cor de rosa!
Mas a tristeza em mim, sombrio mar, avança
e deixa, ao refluir, em minha boca ansiosa
de um lodo escuro e amargo a cáustica lembrança.

- A tua mão afaga o peito; o que ela quer
minha amiga, é um lugar que tem sido saqueado
pela garra acerada e o dente da mulher:
até meu coração também foi devorado.

Meu coração é templo onde a turba cultua
todos os crimes vis e os vícios degradantes!
- Um perfume te envolve a pele branca e nua! . . .

Flagelo de minha alma, ó mulher, por que esperas?
Com teus olhos de fogo, archotes flamejantes,
calcina o que sobrou do repasto das feras!

 J G de Araujo Jorge, in
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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