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" As Carícias do Olhar "
Auguste Angellier
(1848-1911)
Tradução J.G. de Araujo Jorge
As carícias do olhar são as mais adoráveis
Chegam ao fundo da alma, aos limites do Ser.
e libertam assim segredos inefáveis
de outro modo em silêncio, e sem ninguém saber.
Os beijos puros, são grosseiros, junto a elas;
mais que qualquer palavra o seu falar é forte;
nada exprime melhor, no mundo, as coisas belas
que passam num momento, em efêmera sorte.
Quando a idade envelhece a boca em seu sorrir
que as rugas vão marcando aos poucos de amargura,
intacta ainda, mantém sua límpida ternura.
Feitas para inebriar, consolar, seduzir,
guardam toda a doçura, e os ardores e o encanto!
Que outra carícia em luz trespassa o nosso pranto?
Obs.: No original as rimas das quadras também
não se repetem, e no terceto final as rimas
são em parelha.
Tradução de J G de Araujo Jorge,
in
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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