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"Outro Soneto " (02)
 
                     de Arvers
                                                    Tradução de Mello Nóbrega

Para quê esconder-te o amor não procurado
que minha fronte encheu de rugas deste jeito?
Por que não revelar o mistério sagrado
que, até hoje, guardei no íntimo do peito?

Diamantes a brilhar em vaso de ouro feito,
de dons Deus te quis dar este quinhão dobrado,
acumulando em ti quanto é do humano agrado:
o esplender do talento em um corpo perfeito.

Não sei o que fazer, pois, perplexa e aflita,
minha alma, entre esses dois atrativos, hesita.
Sem piedade, atacado assim pela surpresa,

Hei de sofrer sem esperança de conquista:
- ainda que sem beleza, eu amaria a artista,
ainda que sem talento, amaria a beleza..


 J G de Araujo Jorge, in
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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