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 "
Tudo ?... Nada ?... "


  Que hei de dizer-te se nada te posso dizer?
Se tudo sabes sem uma palavra em meus lábios...
Se meus olhos toda vez que te encontram
se confessam como um pecador,
e eu não posso evitar que eles falem por mim
e revelem aos teus olhos meu segredo de amor?...

Que hei de dizer-te? Se nada te posso dizer...
Se devo parecer um incoerente, um tolo...
Se só me resta afinal esse consolo
de me confessar toda vez que meu olhar
encontra o teu olhar. . .

Há tanta coisa ao redor. . . tanto cenário inútil
ao nosso encontro,
- encontro só meu,
pois que afinal nem sei se ao me veres, me vês,
ao cruzar meu passo com o teu...

Tão complicada esta vida... E como seria simples
amar-te
tomar-te como uma criança em meus braços, beijar-te...
( Perdoa, amor, estas coisas que penso
e a estas horas tardes, componho... )
- tomar-te só para mim, e dividir contigo
pedaço por pedaço, inteirinho, este amor,
este sonho...

Chamo sonho a este amor com que me embriago,
amargo pensamento onde apenas é doce
a tua presença,
perdoa, amor: pensar em- ti, era, a principio, vago,
no começo, nem supus que importante isto fosse,
hoje, pensar em ti já é quase uma doença...

Que hei de dizer-te, afinal, se nada posso esperar...
Se temo que tudo se desmanche...
Receio pronunciar qualquer palavra, a palavra
que seria essa pequena pedra deslocada,
capaz de provocar uma avalanche!
... e sepultar
este sonho, e fazer de tudo...
... nada!


  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. IV -  1a edição 1965 )


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