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" Teus CaBelos "
Estamos quietos amor, em bonança
esquecidos de nós
viajando por nós mesmos, sem nós mesmos...
Distraída e imprevidente
te recostas em meu peito
e estás leve e alheia como uma criança sem sono.
De repente, minha mão encontra teus caBelos
e como estranha aranha se esconde em tua nuca,
e meus dedos se entranham e se emaranham
como raízes profundas, silenciosas.
São teus caBelos, sim,
não posso mais tocá-los...
Tem estranhos eflúvios que me fazem estremecer
até o fundo de mim mesmo,
e... já não me reconheço...
Tua cabeça em minha mão acende-se como uma tocha loura,
e olhos em teus olhos as chamas que ardem, sopradas
por que misteriosos ventos?
Gosto de encher as mãos com os teus caBelos,
como um lavrador, a recolher, feliz,
as louras messes de uma farta colheita.
Ah, teus caBelos, amor,
são um incalculável tesouro...
Quero morrer sempre e cada vez mais
como um rei Midas afogado em ouro
perdido neles, como em mar de sonhos...
( Poema de JG de Araujo
Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. IV - 1a edição 1965 )
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