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 "Rio-me"


Rio-me, e entretanto, eu sei que estou doente
     que um cansaço de tudo às vezes a alma invade,
        e de repente, sou como um mendigo ao fim do dia  
       sem ter para onde ir, à hora em que todos voltam...

Rio-me, e entretanto, eu sei que às vezes choro
  sem lágrimas, sem pranto, só por dentro, e sinto
que a vida de repente é uma coisa sem nada     
que lhe possa explicar um segundo que seja!    

Rio-me, e entretanto, a vontade que tenho       
é de às vezes deitar-me na rua, e esperar           
         que um vento sopre a luz dos meus olhos, mais forte,

e acabe de uma vez com o que nunca devera   
um dia começar, se o fim que se anuncia        
     ninguém sabe seu nome: é vida, sonho, ou morte?



  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. IV -  1a edição 1965 )


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