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 "
Poema à Aeromoça "

 
No céu dos aeronautas,
dos passageiros, dos poetas,
faltavam anjos, então
inventaram a aeromoça.

Era preciso que o medo
de repente abrisse os olhos
e um outro céu encontrasse
sempre sereno, sem nuvens,
nos seus olhos sobre nós;
e um pouso, no seu sorriso;

que algo da terra planasse
ao redor, como se tudo
estivesse em seus lugares.

O lindeza imponderável
de um outro mundo, sem tempo,
fora do senso comum;
pássaro de asas guardadas
nas gaiolas supersônicas
penduradas nos espaços.

Agora, os homens partilham
a coragem e compreendem
que se apoiam nessa frágil
presença - doce presença, -
quando há fantasmas de panes
nos sótãos do pensamento.

Deram asas à Beleza
e então a rebatizaram
com um novo nome: aeromoça.

No céu dos aeronautas,
dos passageiras, dos poetas,
por entre nuvens e estrelas
a seguir, de déo em déo,
as aeromoças, felizes
são companheiras amadas
são as novas Beatrizes
as cicerones do céu.


  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. IV -  1a edição 1965 )


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