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" O Espelho "
Dizias não gostar dele...
Mas já te vais acostumando à sua silenciosa
presença...
Mudo espectador só ele tem o direito de assistir também
às redescobertas de tu beleza.
Tu me chamas de louco, porque às vezes,
não contente de ver-te a face,
te surpreendo em descuidadas revelações
em seus olhos prateados...
Então te enches de imprevisíveis pudores
como se ele, mudo e dissimulado,
tivesse alma, e pudesse ser um estranho alguém
presente em nossa intimidade.
Tolice, amor,
por ele posso encontrar num mesmo instante
todas as faces de tua beleza
e multiplicar ao infinito
as loucuras do nosso amor!
( Poema de JG de Araujo
Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. IV - 1a edição 1965 )
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