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 " Monólogo do Barqueiro Solitário "



Não sei como consigo conter este desejo que sopra
e me impele para ti
como um barco para o mar...

Não sei como consigo amarrar-me a mim mesmo
como quem nada sente,
a simular esta calma, esta paz,
deixando-me ficar como um barco a bater inutilmente
contra o cais...

Ahl Se ainda fores minha! Enfunarei mil velas
pelo oceano a fora,
soltarei bandeiras, seguirei audacioso o meu roteiro...

Ah! Se tu fores minha! Não viverei assim
em viagens de sonhos
preso às amarras do meu desespero...

Partirei em busca daquela ilha
que veio em teu olhar...

Ah! Se tu fores minha, que maravilha!
Serei dono do Mar...



  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. IV -  1a edição 1965 )


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