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" Família...
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Da janela do meu apartamento, à noite, quando chego
vejo defronte, a mulher sentada à máquina de costura
sob um foco de luz.
São oito a meia. As janelas da sala, dos quartos, de todo o apartamento
estão apagadas.
A mulher continua costurando, costurando. Ao seu lado
estão sempre brincando um menino a uma menina,
(devem ter 5 a 6 anos)
e sobre a cama de casal ha um menorzinho, quase sempre pulando
sobre o colchão.
Vez por outra a mulher se volta para eles, ( não ouço o que diz)
mas faz pouca diferença porque eles continuam fazendo a mesma coisa.
De repente, ela para de costurar.
As crianças desaparecem.
Um minuto depois, ele se curva para beijá-la, ela se levanta e sai.
As crianças se agarram as pernas dele, entram e saem
correndo por todos os cômodos.
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Da janela do meu apartamento, à noite,
todas as noites,
me emociono a pensar, não sei o que...
"... Ser pai é ser esperado, é parar a costura,
é ser segurado pelas pernas, é, de repente...
acender o apartamento todo!"
( Poema de JG de Araujo
Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. IV - 1a edição 1965 )
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