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 "
Desculpa "


Quero que me desculpe, amor,
este gasto coração tão viajado
tão tatuado de amores.

Quero que me desculpe, amor,
esta ironia que me defende contra a vida
e que te fere às vezes, sem razão.

Que me perdoe, também, essa alma turva
que não pode espelhar tua alegria
e onde em vão te debruças, imprudente.

Quero que me desculpe a minha vida
fim de novela que não dá sequer
para tecer um sonho pequenino
e aquecer teu coração.

Quero que me desculpe, amor, porque fui cúmplice
do destino que tramou o nosso encontro,
e porque nada fiz, por covardia,
para evitar o mal que já sabia.

Quero que me desculpe, amor, tão pobre amor,
tão gasto amor, tão viajado amor,
resto de um pouco amor que ainda subsiste,

- que encontraste no cais, quando chegavas,
- e eu já partia, embebedado e triste...


  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. IV -  1a edição 1965 )


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