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" Castigo "
Amo-te no silêncio, contrafeito,
temendo a incontinência dos meus olhos,
pobre amor que se perde, inevitável,
consumido de apelos e renúncias.
Sei que és manhã ainda, no céu puro,
claridade que apenas prenuncia,
fruto de-vez que a luz vai madurando
entre aragens e pássaros na altura.
Vejo-te, e me castigo a imaginar
o gesto de colher, que não encontro
para tanta beleza, - e desespero
e fecho os olhos para não te ver,
e tento em vão cegar o pensamento
se és, a um só
tempo, luz que cega e atrai.
( Poema de JG de Araujo
Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. IV - 1a edição 1965 )
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