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" Variações Sobre o Mesmo Tema "
(
85 variações )
1
Debruçada sobre mim,
depois do amor,
teus olhos cantam baixinho
e me embalam como criança.
2
Tão difícil se definir um prazer...
Às vezes não encontro
palavras para descrever
o simples contato de tuas mãos...
3
Queria ser o perfume
que te conhece toda
e te acompanha invisível
e fiel.
4
Principalmente
continuaste nas minhas mãos,
onde teu perfume
te guardou inteira.
5
Hoje sinto que nada mais poderá alterar
o acontecido.
O vento acena apenas os ramos
e redemoinha as folhas.
.....................................................................
Fundamente permaneço
como a raiz no chão.
6
Estas palavras terão ao teu ouvido
um rumor de champanha,
e este poema é um brinde a mais
ao nosso amor.
7
Percebemos que este amor está além de nossas forças.
Só ele encontra o rumo e a solução.
E se tinha que ser, sejamos corajosamente
com toda a sua força e a sua beleza.
8
Pueril. Absurdo. Doentio.
Desculpe-me, meu amor.
Esse ciúme só falta querer saber
se você me enganou
antes de me conhecer.
9
Perdoa se falo tanto
sobre mim pensando em ti.
Não sei dividir com mais ninguém
a nossa intimidade.
10
Seria fácil desabafar em confidências,
mas prefiro debater-me a sós
até que novamente me salves.
11
Se só tu podes salvar-me,
para que pedir socorro?
Depois, já vou me acostumando a saber
que longe de ti, mesmo continuando a viver,
eu sempre morro.
12
Chegas. E então esqueço
que morri tantas vezes.
E volto a acreditar na eternidade.
13
Eu te previa há muito tempo...
Apenas, não podia marcar
a data de tua chegada.
14
Agora
que chegaste...
Sei de que ponto
começa a minha vida...
15
Longe de ti, morro.
Toda vez que te encontro,
ressuscito.
16
Receio que este ciúme,
como um golpe de ar,
tenha estalado o cristal de meu coração.
17
Perdoa, meu amor, estas palavras.
Gostaria de não precisar delas para companhia,
sei bem que elas são desnecessárias
para o nosso amor.
Perdoa, mas o silêncio me aterra
e atravessa como um dardo
18
E tenho medo que o mesmo destino
que nos aproximou
e nos atordoou com a surpresa
deste amor,
resolva nos atraiçoar, sem nos dar tempo ao menos
para nos despedir...
19
Tuas mãos... Se elas soubessem todo o bem
que me podem proporcionar,
como aquela brincadeira de criança,
viveriam fazendo arcos sobre mim
para eu passar...
20
Este ciúme, que agora lavra como um incêndio
que nada pode conter,
foi uma pequena palavra tua, sem importância, distraída,
que o atiçou sem querer...
21
Destino de porto
e de navio...
Nem bem lançamos as amarras
e já marcamos a hora da partida...
22
Sempre que nos encontramos,
nossos corações batem como pássaros
assustados...
Por que este amor que Deus nos deu
há de nos perturbar assim,
como se estivéssemos roubando de alguém?
23
Reconheço que é covardia
deixarmos para a vida resolver...
Só porque foi ela que começou...
24
Puro e forte, este amor.
Nem tivemos tempo de impedi-lo
e ele nos arrebatou como duas folhas.
25
E quando demos por nós, estávamos
em pleno mar...
.................................................................................
Agora te digo, como o nadador mais experiente:
abandona teu corpo, põe tuas mãos em meus ombros
e deixa que te conduza...
Ou chegaremos à terra,
ou morreremos juntos...
26
No alto nos encontramos, entre nuvens, pássaros,
e águas...
E só então compreendemos que um dia teríamos
que subir
para descortinar a vida
em todas as direções...
27
Onde estavas por tanto tempo,
enquanto eu seguia, ou vagava
desperdiçando o coração ?
28
Espiamos a felicidade, de longe,
sobre altos muros...
Quando teremos coragem para ir ao seu encontro?
29
Não nos vemos.
Parece que apenas nossas mãos
se tocam e falam.
E viajamos neste amor
como dois clandestinos.
30
Sei que estou fazendo poesia
porque sinto o teu calor em cada palavra
e ouço tua respiração em cada poema.
31
Quero que sintas como eu
de repente,
que chegamos ao alto, por sinuoso e desnecessário caminho,
e só então descobrimos
que havia um mundo do outro lado,
à nossa espera.
32
Já eras minha
porque estavas no meu destino
antes de te conhecer.
33
Os anos rolarão sobre estes versos brancos
e um dia ficarão como pedras verdes
ao limbo do tempo...
Já não serão os teus diamantes
serão as tuas esmeraldas...
34
Estão acenando em teus olhos esgarçados desejos
como nuvens numa alta montanha.
Eu chego, como o vento.
35
Toda vez que te encontro,
é a primeira vez.
36
O que me mata na despedida
é não Ter certeza da volta.
37
Adivinhei muitas vezes tua presença
em minha vida
e te antecipei em cantos
que só agora compreendo.
38
Estas palavras são apenas
necessárias
porque não estás presente...
Ao teu lado, só o silêncio
tem a palavra.
39
Te amo também com as mãos, como um cego.
E não me canso de procurar em teu corpo
os caminhos onde me perco.
40
E ficaram nas minhas costas as marcas de tuas unhas,
como as pegadas do louco viajante
antes que o abismo o tragou.
41
Tenho medo agora de usar as palavras,
terei de dizer com as mesmas palavras de sempre
e que nunca disse até hoje.
42
Leio os meus poemas tão cheios de amor...
E como só agora te encontrei
admiro mais que nunca o misterioso poder
da imaginação.
43
Não dou tempo ao teu pudor
e te tomo sobre meus joelhos...
Colho a tua graça nua
frente ao espelho...
44
Sim, tive amantes e amadas,
fui escravo, fui senhor,
mas só agora que te encontro
tenho a amante e a amada
num mesmo amor.
45
Não há nada a temer.
Não pode haver medo em teus olhos,
se basta abri-los para me encontrares.
............................................................................
Sei que agora, a uma palavra tua,
eu trocaria até de nome
e começaria tudo do chão.
46
Foi tudo de repente...
E já agora não sabemos explicar
como aconteceu...
47
A verdade
é que a saudade começa
quando nos despedimos...
48
E no final já não sei quando começa
nem quando termina o amor...
Sei que continuo
como se fosse possível permanecer na vertigem
indefinidamente...
49
Sentindo o caminhar sonâmbulo de tuas mãos
e os passos embriagados de teus dedos,
sou um homem que se dissolve.
50
Afinal para que essa angústia de perguntas
sobre o que será e o que aconteceu?
Confiemos no destino que marcou nosso encontro
e, sem querer nos ouvir,
te fez minha... e me fez teu...
51
Por muito tempo, depois que nos perdemos,
minhas mãos caminham a esmo pelo teu corpo...
Ficam a procurar o rumo
para prosseguir na viagem...
52
Ainda tenho no ouvido as tuas palavras vaga, loucas,
que foram a letra daqueles instantes
em que o amor era música...
53
E já é sempre tarde
quando nos lembramos do tempo...
E nem sei como ainda temos tempo
de nos lembrar que já é tarde...
54
É como se ainda estivesse nos meus braços
como há pouco
a sós,
e eu te dissesse na boca estas palavras
apenas sussurradas
para nós...
55
às vezes te sinto sob os meus dedos,
como um teclado onde minhas mãos insaciáveis
repetem infinitas escalas...
56
E este amor marinheiro, a viver de chegadas
e partidas, - inquieto e louco,
quando desejaria a terra para se enraizar...
57
Por que seria eu a chegar depois,
quando antes... tudo seria diferente?
58
E de repente, abri os olhos... e nossas bocas
se debatiam como dois náufragos abraçados
que não soubessem nadar...
59
Trairíamos a vida se voltássemos...
Se não nos encontrássemos, não seria
viver...
Fugir... seria morrer...
60
Estavas nua em meus braços,
esquecida de que já era tarde...
Só o espelho complacente tinha razão
para compreender
o nosso esquecimento ...
61
Porque teremos sempre
que nos despedir,
quando nascemos para ficar?
62
Em teus olhos, uma imensa ternura flutuava
como uma mancha de óleo a me envolver...
63
E esta impressão de que nos concedem
o amor,
como o último desejo
a um condenado...
64
E esta sofreguidão de quem tem tanta cousa para dizer
e vê se aproximar, inexoravelmente,
a hora da partida...
65
Há sirenas desesperadas e surdas, apitos intermitentes
em nossos encontros...
Por que nunca temos tempo de dizer com o amor
tudo o que temos para contar um ao outro?
66
Viemos matar a saudades?
Ou de saudades morrer?
67
Na minha vida
feita apenas de reprises,
teu amor chegou como uma estreia
inesperada...
68
E agora, quando?
amanhã, sexta-feira? ou segunda, talvez...
E temos que fracionar o amor, desesperadamente,
para poder colhê-lo
69
Quando estou contigo,
me gasto perdulariamente...
Sozinho, este amor cresce
e me afoga...
De tão grande,
este amor
não cabe em minha solidão...
70
Por que tantos namorados
por toda parte ?
Parecem perseguir-me...
Me lembram que sigo só
e que não sei onde estás...
71
A poesia
é o silêncio do coração do Poeta
que se faz palavra quase música -
para eternizar seu mistério.
72
Tenho a impressão de que foste feita
na medida de meus desejos.
Cabes inteirinha no meu amor.
73
Quando te cubro com o meu carinho
não sentes frio.
Quando te sinto tão junto a mim,
e te abraço, e me perco, e te perdes,
já não sabemos mais o começo
e o fim...
74
E de repente começamos a conversar...
Debruçado sobre ti, olho os teus olhos,
e penso que seria mesmo impossível alguém
agora nos separar...
75
Chegas, pequena e leve como um pássaro.
E te estendo os meus braços como um ramo
onde te aninhas.
76
Já agora és minha.
Estou em ti, como a seiva
invisível
a circular,
como o espaço,
onde acenas, para florir
e frutificar...
77
Cada instante de posse é uma aleluia
Oh! colher-te em botão
tornar-te flor...
Onde andará o poeta triste que escreveu
que a conquista é o réquiem do amor?
78
Apresentei-te à minha tristeza
para qe compreendesses melhor
o significado de tua presença.
79
É sempre a mesma ânsia...
Tomo-te as mãos, os lábios, e estremeces toda,
e te deitas como os verdes capins nas encostas
quando passa o vento...
80
Falar de ti em meus versos,
por estranho que pareça,
é uma forma de distrair
a minha solidão,
e evitar que enlouqueça...
81
A verdade
é que toda vez que nossas mãos estão se despedindo,
nós já estamos voltando...
82
Sem ti, entre loucos pensamentos,
me sinto perdido
como um avião no céu,
sem instrumentos.
83
Se te dissesse a minha vida...
... Mas para que falar do que não houve?
84
Ah! Ter sempre que te encontrar, embuçado
como um assaltante,
Ter sempre que pular o muro
para te ver...
85
Afinal, como o viajante solitário
preso às longas e silenciosas malhas da solidão,
vou repetindo teu nome alto no caminho
para poder manter-te realidade
e fugir à alucinação...
( Poema de JG de Araujo
Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. III - 1a edição 1965 )
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