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" Os Pombos "
Pousaram em teu corpo, em tempo imemorial,
dois alvos pombos
e em ti fizeram ninho.
Vou encontrá-los, vivos, aconchegados,
e só faltam arrulhar quando os tomo nas mãos
tensos, pesados,
e os acarinho...
Alvos pombos, em ti,
descubro-os sempre a medo, a temer espantá-los...
- São encantados regalos
para os meus olhos,
e soltos, postam-se inquietos
e surpresos,
como ainda há pouco os vi...
Os bicos no ar... (parece que ainda estou a vê-los)
em suspenso, palpitam sem que eu possa contê-los,
mas em vão tentam voar:
- estão presos a ti...
Alvos pombos... ( "quem sabe se se põem a arrulhar
quando os tenho nas mãos, belos,
sensuais,
tal como os outros quando se amam,
e arrulham
nos beirais?..." )
De penas ou de arminho?
Pousaram em teu corpo, em tempo imemorial
dois alvos pombos,
e em ti fizeram ninho
( Poema de JG de Araujo
Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. III - 1a edição 1965 )
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