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" O Lago do Cisne "


Foram meus olhos, duas asas tontas
que ao teu redor, como ao redor da luz
queimaram suas ânsias e ficaram
mortos no chão, como cigarras mortas...

No bailado em que estavas, sobre o palco,
meu desejo - esse fauno de alma triste,
tomaria teu corpo e bailaria
até que o mundo se fundisse ao sonho...

Olhos de luar e vinho que me seguem
na ária da solidão em que me envolvo
sem volta, sem partida, sem transcurso...

Foram meus olhos que te descobriram
e ficaram vogando esse abandono
de cisne branco sobre o lago imenso...


  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. III -  1a edição 1965 )


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