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Náufrago "

    
Nada sei de ti. Me sinto como o homem do farol
esquecido no mar,
isolado do mundo e sem contato com a vida,
sem telégrafo, sem porto, sem navio,
meses a fio a esperar...

Nada sei de ti. Estou sem notícias, como um náufrago
entre praias e gaivotas,
fora de todas as rotas...

Olho o limpo horizonte, sem um aceno de fumo.
Olho o céu, desesperado...
Tuas mãos de velas pandas, teus olhos, - bússola e estrela -
quando me encontrarão?

Ah se fossem pombos-correio estas selvagens gaivotas
que planam sobre a minha angústia,
sem ver a minha solidão...



  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. III -  1a edição 1965 )


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