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" Lenda "



Para que, meu amor, reavivarmos aquilo
que era um "sonho de amor..." uma   "sonata ao luar"? ...
Aquele lago azul da montanha, tranqüilo,
onde, faz muito tempo, encontrei teu olhar...

Para que? Se afinal, vai ficar sem resposta
a pergunta que fiz no reencontro de agora...
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No meu ombro os teus louros cabelos recosta
deixa ver se ainda encontro o doce olhar de outrora...

Tanta cousa passou . . . Eu nem pensava mais
ser possível, de novo, encontrar-te em meus braços . . .
Tão vaga era a esperança e tudo tão fugaz
que eu ja supunha em vão, tentar seguir teus passos. . .

Sem direito a uma esmola, sem direito a nada,
de longe, acompanhei-to o vulto, imaginando
para outrem, a felicidade tão sonhada,
e que um dia eu deixara fugir. . . nem sei quando. . .

E os anos se passando . . . E eu a dizer baixinho,
(sufocando um amargo a constante desgosto)
- que nunca mais seria meu o teu carinho,
nem nunca mais teria o teu rosto em meu rosto. . .

E de repente, o encontro. . . O inesperado, a vida
que nos chega imprevista a nos transborda as mãos...
E te posso colher em meus braços, vencida
e encher, traço por traço, os pensamentos vãos...

Posso apertar-te a mim. . . posso beijar-te a boca...
Teus cabelos tocar... enlaçar-te a cintura...
Para que, meu amor? Se toda essa ventura
se esboroa e se esvai como uma imagem louca?

Para que, meu amor? Se nos falta a coragem
de reatar toda a história um dia interrompida...
Se terás que me ver, de novo, de passagem,
e eu, te olhar, como se olha a uma desconhecida...

Para que? Mas desculpa a pergunta insistente...
Deixa  que  te  confesse ( é um desabafo  meu )
- toda vez que me vires, vago e indiferente,
pensa, que a te esperar, sepulto intimamente
uma vida que é tua. . . e um coração que é teu...


  
( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. III -  1a edição 1965 )


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